Por Luize Calvi Menegassi Castro
Empresas com os mesmos recursos, inseridas no mesmo mercado e compostas por pessoas igualmente qualificadas podem apresentar resultados diametralmente opostos. A explicação para esse abismo, muitas vezes desconfortável para a gestão, não reside em falhas mecânicas ou físicas, mas na engrenagem estrutural do pensamento. Recentemente, participei de uma imersão na Academia de Líderes do IEL no MIT (Massachusetts Institute of Technology), e me deparei com uma reflexão interessante: a metáfora do sofá.
A missão de mover um sofá parece, à primeira vista, um esforço puramente físico. No entanto, o sucesso da tarefa depende de milhares de decisões tomadas antes mesmo de o móvel sair do chão. É preciso calcular o peso, prever se o caminho inclui escadas, antecipar se haverá dor nas costas e identificar o momento exato de pedir ajuda. Antes mesmo de conseguir mover o sofá, já foram tomadas inúmeras decisões, muita energia já foi gasta em resolver de fato o problema físico de mover o sofá. Na governança corporativa, o erro fatal de muitas organizações é justamente esse: tentar erguer o peso e movimentar o sofá sem o planejamento da rota.
Muitos negócios fracassam não por falta de capacidade técnica, mas por estarem presas na “zona de perigo”. É o modo de sobrevivência, em que a liderança gasta toda a sua energia apagando incêndios e resolvendo problemas imediatos, focados na sobrevivência e não em resolver de fato os problemas. Esse ciclo vicioso impede a transição para a “zona de ganho”, o estágio em que a gestão possui margem para pensar, melhorar e, finalmente, evoluir.
Aplicar uma governança eficiente significa atuar como um sistema de inteligência prévia e criar espaços de respiro e capazes de tomar decisões adequadas. Antes de qualquer movimento brusco na estrutura de uma empresa, o líder precisa ter a clareza de quem carrega o “sofá” ao seu lado e para onde ele está sendo levado. A força bruta sem direção gera apenas desgaste; a estratégia com direção gera valor.
Para que essa evolução ocorra, o professor sênior do MIT, Steven Spear ensina que a liderança deve dominar três movimentos essenciais: amplificar a visão, desacelerar para ganhar precisão e simplificar processos complexos. Inovação, afinal, não é sobre ter ideias isoladas, mas sobre cultivar o ecossistema correto e as conexões precisas.
O futuro dos negócios e das empresas familiares não será definido pela substituição de pessoas por máquinas ou inteligências artificiais, mas pela coragem de usar a tecnologia para pensar estrategicamente. Erguer o sofá da governança exige esforço, mas saber para onde ele vai e quem o carregará ao seu lado é o que separa a sobrevivência da longevidade.